segunda-feira, 11 de maio de 2015

A estátua da Responsabilidade

“A liberdade, no entanto, não é a última palavra. 
Não é mais que parte da história e metade da verdade. 
Liberdade é apenas o aspecto negativo do fenômeno integral cujo aspecto positivo é a responsabilidade. 
Na verdade, a liberdade está em perigo de degenerar, transformando-se em mera arbitrariedade, a menos que seja vivida em termos de responsabilidade. É por esse motivo que propus a construção 
de uma Estátua da Responsabilidade na Costa Oeste dos Estados Unidos, para complementar a Estátua da Liberdade na Costa Leste”.

Viktor Frankl, no livro Em busca de sentido, 
à página 154 da 31ª edição, de 2011 da 
Editora Sinodal em parceria com a Editora Vozes.

O II Congresso de Internacional de Logoterapia aplicada à Educação tem como tema: Educar para a responsabilidade. Como símbolo, adotamos a maquete da Estátua da Responsabilidade que está sendo construída na Costa Oeste dos Estados Unidos, conforme a proposta de Frankl, logo após sua libertação dos campos de concentração nazistas¹. 

Mas o que é responsabilidade para Frankl? 
A responsabilidade é em vista da finitude, da irrepetibilidade e do “caráter de algo único” da existência humana. Cada um é responsável diante das possibilidades únicas e irrepetíveis que a vida lhe apresenta e sobre as quais tem influência, e não diante do que está fora de sua área de influência. 

Não é o homem quem deveria procurar a resposta sobre o sentido da existência, ao contrário, é a vida que pergunta ao homem, e esta pergunta somente poderá ser respondida se assumirmos nossa vida com responsabilidade, se à vida respondermos com a resposta correta, com o verdadeiro sentido de uma situação. Portanto, responsabilidade, na visão da Logoterapia, “significa uma responsabilidade para levar à realização das possibilidades, em si transitórias, de realizar valores, e, com isto, depositar algo de valor no passado, ou seja, no verdadeiro existir” (FRANKL). Refere-se a um sentido de cuja realização somos responsáveis e também a um ser diante de quem somos responsáveis.

A responsabilidade tem algo de temível e de sublime: temível, porque, a cada instante, arco com a responsabilidade pelo momento seguinte, pois todas as decisões são para toda a eternidade, já que a cada momento realizo ou desperdiço a possibilidade única que a vida me apresenta, e sublime, pois o meu futuro, e o da sociedade de certa forma, depende da decisão que eu tomo em cada instante. 

Diante de tantos desafios na vida, na educação, posso fazer diferença pela responsabilidade com que assumo o momento presente! Nossa esperança é que o encontro humano, propiciado pelo II Congresso Internacional de Logoterapia aplicado à Educação, contribua para que façamos a diferença significativa que a sociedade espera de nós.

Marina Lemos Silveira Freitas
Presidente do IECVF

¹ Maiores informações: https://youtu.be/RSeCUNycZwI; https://youtu.be/hKZ9yWRWnnE; http://statueofresponsibility.com/.

segunda-feira, 16 de março de 2015

“Educar para a Responsabilidade”

“A Difícil Tarefa de Educar” título de um livro em pedagogia ultrapassa seu próprio significado e nos faz companhia cotidianamente. Seja em casa, na escola ou até mesmo no consultório de psicologia esse apelo ao que o outro deve vir a ser, é, de fato, desafio e oportunidade.
Desafio porque em cada momento uma nova situação da própria vida se impõe, ou um novo conhecimento se adquire, ou uma superação se estabelece, exigindo do homem um novo posicionamento ou uma nova resposta. Essa imperiosa resposta à vida, tecida no cotidiano, surge sem nos dar tempo para pesquisar ou consultar qual seria a melhor ou a mais adequada, mas muitas vezes, a única resposta, a possível. Seres imperfeitos, sem programação da espécie para formação do caráter, cada um de nós vai buscando um caminho para educar quem amamos.
Adquirir Informação na escola, educação em família, educação diante da vida e amadurecer, são ritmos peculiares à pessoa humana. Muito diferente de condicionamentos ou destrezas, para cada conhecimento ou para cada habilidade adquirida, um valor, implícito e invisível, pulsa acompanhando o que foi adquirido. Alguém pode tentar ganhar o mundo do conhecimento ou da ciência e ainda assim, perder-se na educação ou na formação de si mesmo como pessoa humana.  Um para quê surge, e nossa consciência não consegue ficar indiferente ou morna.
Esse pulso da educação significa a aquisição de um “novo” e diante de um “novo” a emergência de uma resposta diante de mim mesmo e diante do outro. Um processo de identidade vai se configurando, ou seja, vai dando forma a um ser, o ser professora, o ser pai e mãe, o ser pessoa. Por isso é tão angustiante educar, é rua de mão única, “vai e volta”, ao mesmo tempo, que se educa a um filho ou a um aluno, há o pressuposto de uma autoeducação ou um desvelar de si mesmo, e claro todos queremos acertar, ou pelo menos deveríamos querer!!!
Também  oportunidade na medida em que vivendo e respondendo à vida, o ser humano tem chance de descobrir um sentido mais profundo para sua existência, uma tarefa  a ser realizada, um plano, que intui para si mesmo e que deve ser cumprido, uma única, singular e original resposta diante de um Tu.
“Mortalha não tem bolso” diz um ditado africano significando que daqui, desse mundo, nada podemos levar materialmente, mas imaginem se pudéssemos nos despedir com os bolsos cheios de tarefas difíceis, desafiadoras, mas bem cumpridas!
É por isso que os convido a participar do II Congresso Internacional de Logoterapia Aplicada À Educação: “Educar para a Responsabilidade” para pensarmos e repensarmos sobre educação e nossa prática  cotidiana .

Roseana Barone Marx
Presidente do II Congresso de Logoterapia aplicada à Educação